Tigre no Higashiyama Zoo, Nagoya, Japão (janeiro 2017)
Por
Jaqueline B. Ramos*
A força dos acontecimentos
me faz voltar para este assunto: por que, em 2017, ainda levamos nossas
famílias para passear em zoológicos? Me chamou a atenção a notícia da tratadora
morta (mais uma) por um dos tigres que cuidava no Hamerton Zoo Park, em
Cambridgeshire, na Inglaterra.
Entre os casos similares
registrados nos últimos anos estão as mortes de uma tratadora em maio de 2013
na Inglaterra; de um homem depois de uma fuga de vários animais em um zoológico
na Georgia, Estados Unidos, em junho de 2015; de um tratador com 20 anos de
experiência em um zoológico na Nova Zelândia em setembro do mesmo ano; de uma
tratadora em um zoológico na Flórida, Estados Unidos, em abril de 2016; de uma tratadora
em um zoológico espanhol em julho do mesmo ano; e, no mesmo mês, uma mulher
morta e outra gravemente ferida em um ataque no Beijing
Badaling Wildlife World, na China.
Em alguns casos os “tigres
assassinos” acabaram sendo abatidos, e em outros foram poupados. Os tratadores vítimas eram profissionais
experientes, que conheciam, gostavam e cuidavam dos animais há anos. Mas nem
isso foi suficiente para impedir o ataque. Por que, na verdade, a conta de
manter grandes felinos (e animais selvagens em geral) em cativeiro não fecha.
O desafio do cativeiro já é
enorme, com direito a dilemas éticos e incidentes, em locais conhecidos como
santuários, nos quais o foco é o bem-estar e a conservação das espécies. Em
zoológicos, nos quais um dos objetivos principais é atender os visitantes, proporcionar
para o público em geral a experiência de ver um animal selvagem de perto – se é
que isso é possível -, espera-se que os
desafios, e, consequentemente, os riscos, sejam muito maiores.
Michael Nichols, fotógrafo e
editor da revista National Geographic, produziu em 1996 um documentário sobretigres em cativeiro nos Estados Unidos e sua conclusão ainda é válida e muito
perspicaz, mesmo passados 21 anos. “Simplesmente não tem como um predador viver
tão perto de seres humanos”.
Voltando a pergunta inicial
da minha breve reflexão, destaco um comentário da minha filha de sete anos quando
viu um tigre em um zoológico em um “passeio” recentemente. “Meu Deus, como
prendem uma coisa dessas, gente?!” Está mais do que na hora de atentar para
esse tipo de impressão mais pura e livre de preconceitos, analisar fatos e dados e rever nossa relação
com tigres, ursos, chimpanzés, golfinhos e todos os animais selvagens que temos
a pretensão de manter bem em cativeiro para nos proporcionar bons passeios.
*jornalista ambiental/Gerente de Comunicação do Projeto GAP Internacional
Acredite se quiser... Dez minutos antes de ler seu post, falei pra Milana que, agora que Carina vai fazer 16 anos, eu terei que cumprir a promessa de levá-lá àquele zoológico na Argentina, onde é possível interagir com os animais selvagens. Milana me disse: "Não, mãe, pelo amor de Deus, não faça isso. Aqueles animais são drogados. Não estimule isso." E aí agora leio seu excelente texto. Acho que é hora de reconsiderar o "passeio", rsrs
ResponderExcluirAna, nossos netos só vão saber desses "passeios" como coisas do passado. "Nossa, tinha um tempo que vocês achavam isso agradável?". Suas filhas são demais!
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